quarta-feira, 4 de maio de 2011

C H E G A
de letras miúdas
de frases contidas
e amores remediados


B A S T A
dessa insana chatice
esse normal desgate
dessa falta de tato

C A N S E I
da dor sem cura
de falta de vontade
e de tudo planejado

Q U E R O
o que hoje não existe
o que é impossível
e só os reais contêm

terça-feira, 3 de maio de 2011

O PÁSSARO E A GAIOLA


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Mal provara a liberdade. Foram poucos seus vôos. E que vôos!... Lançar-se no espaço, ao encontro do azul do céu... Ganhar assim, na força nata de suas asas, admiração da beleza plástica de seu voar. Aprendera que não havia limites. Que desafiar o espaço fazia parte de si. O Canto? O Cantar era a elegia a tudo isso, o símbolo da essência que continham sua vida e que estava contido no pulsar de seu coração. Seu trinado ressoara musicalmente afinado, naturalmente encantador. Pássaro trinador. Voar e cantar. Simplesmente como o nascer e o se pôr do sol.

Na liberdade de um dia, voando no canto da harmonia que a corrente do vento ensaiava, caíra preso na rede estendida no espaço-sem-limites, onde suas asas não podiam alçar vôo e seu canto transformara-se em lamento. Fora então, recolhido por mãos humanas que, de forma tirana, o colocaram em uma prisão. Reclamara. Chorara. Trinara. Tudo fora em vão. 
Sobrevivera naquela prisão, onde não havia como voar, onde não havia como ser o pássaro que conquista espaços. Não havia o azul do céu, não havia a luz do alvorecer ou as mágicas cores do entardecer dos dias. Tudo transformara-se em monotonia. De outros pássaros, ao longe, só o canto ouvia. Então cantava, buscando no cantar o som da companhia.
Menos pássaro agora, pouco importa lá fora. O comer, beber, tudo tem. Cantar, ainda canta. É quando sente-se livre, embora cante a tristeza da liberdade perdida. Não reconhece a saída da prisão. Existira para a liberdade. Tantas vezes a porta da gaiola ficara aberta sem que disso percebesse. Seus vôos livres perderam-se no esquecimento de si mesmo.
A mão do destino na força do tempo conspira para o libertar. Enfraquecida, a corda que prende a gaiola, rompe-se. De encontro ao chão, abre-se toda. O pássaro preto atordoado, confuso, está fora da gaiola. Fica saltitando pelo chão. Não sabe que rumo tomar. Desaprendeu a voar. Esqueceu que é pássaro. Liberdade é só um cantar.
Porém, o gato da casa sabe ainda para que serve um pássaro. Num salto cai sobre o pássaro preto com suas garras afiadas, mas estas escorregam nas penas e o pássaro preto consegue, saltitando, quase num vôo, sair do seu alcance. Um tanto ferido, mas a salvo, no alto. Toda liberdade requer um risco. Agora ele percebe o azul do céu. O espaço. O não existir limites. O ser pássaro. O voar. Novamente o trinador ressoa em si. Bate as asas no impulso do vôo ao azul do céu...
Assim, de novo reencontra o sol a brilhar na liberdade diária, no gorjear alegre das horas, da companhia alvissareira do bando. Suas asas retomam as forças e suas penas novo brilho. Seu canto encanta com seus trinados; arranja logo uma parceira por ele enamorada. Aquele sentimento que passa a uni-los, só faz aumentar os limites da liberdade que ambos sentem viver, aumentando o dom de perceber e a visão do sentir cada dia amanhecer. Embalados na sintonia desse saber, constroem o ninho que abrigará os frutos dessa canção.
Na construção diária da alcova, cada vôo se faz uma aventura nova. Sua amada, se entretém na busca intermitente de fazer o ninho, não percebe o perigo e seu vôo vai de encontro à rede da prisão. Agora, o Pássaro Preto tem para si, todo o espaço e o azul do céu. Mas não tem a liberdade. A sua liberdade está presa com sua companheira. Na mesma gaiola em que ela está.
Ele tem todo espaço para voar. Toda floresta para cantar. Nada disso e capaz de o motivar. Está preso em sua própria liberdade. Lança-se em vôo alto, demorado. Canta, um cantar dolorido, apaixonado; ouve ao longe, um cantar entristecido. Um amar adormecido. Seu vôo se aplaca, se amaina. Sobrevoa a gaiola onde ela está. Um alçapão. Bate forte seu coração. Fecha as asas. Fecha-se o alçapão.

Juntos na prisão da gaiola, unidos na liberdade de viver a eternidade do sentimento que supera o tempo, espaço e dor: a força do amor. 
Deus amou os pássaros e criou as árvores;
O homem amou os pássaros e criou as gaiolas! 

Pássaros - Claudia Leite

Eu conheço a imensidão do céu
Pássaro que sou,
Mergulharei de vez
Uma vez ou três.
Duzentos por hora, ou algo mais,
Na velocidade de encontrar você
Te merecer
Voar, sem ter onde chegar.
E de lá do céu
Formaremos dois em um só,
Fugirei da chuva,
Beijarei o sol.
Amanheceu
É hora de voar 
Sigo meu instinto animal,
Cruzo mil fronteiras
Garimpando amor,
Semeador.
De tanto voar achei você,
Multicolorido exatamente igual
Ao meu astral.
Melhor é voar a dois
E de lá do céu
Formaremos dois em um só,
Fugirei da chuva,
Beijarei o sol,
Amanheceu
É hora de voar.

O pulso ainda pulsa!

Quando as dores forem mais fortes que você, reaja! Sinta seu pulso pulsar. Tanta gente doente, com deficiência, problemas sérios de saúde, mas que erguem a cabeça e continuam a pulsar. Por que você, uma pessoa forte, cheia de saúde deve parar? Não mesmo. Só você tem a cura do seu vício de insistir nesta bobagem de que você não é ninguém. 


Até o fim vamos tentar. Quantas vezes já tivemos problemas que pensamos ser impossíveis de resolvê-los? E hoje olhamos e vemos como eram simples. Às vezes dificultamos nossos problemas com nossos medos e nossa ansiedade. Basta termos paciência. 
Havendo sol ou não, ainda haverá saída. Estás vendo lá no fim deste quarto escuro? Eu estou! Há quem diga que sonhar não vale a pena, que ter esperança não adianta. Infelizmente... o pouco ainda é pouco. Por que será, né? Não sei. Estou tentando saber... Vai ver o pouco será sempre pouco. O que realmente nos importa é saber que a sós ninguém está sozinho. Se você quiser seguir sozinho, a decisão é sua, mas você continuará sendo "pouco".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Um novo mundo (?)

Abra a boca.
Que o mundo vai entrar em você.
Se sua boca for pequena, sinto muito.
Se sua boca for grande, parabéns.
Mas, de alguma forma, o mundo vai entrar em você.
Ele vai.
Porém, tenha cuidado.
Se ele entrar de vez, tenha certeza, ele e você acabaram.
Deixe ele entrar, mas aos poucos.
No final, verá que não foi mau.
Ele vai poder lhe ensinar.
Ensinar tudo.
O começo. O meio. O fim.
Não necessariamente nessa ordem, mas vai.
Ele vai.

Agora abra bem os olhos.
Feche a boca.
O mundo não é mais mundo.

Líquido límpido.

O tempo às vezes muda do nada e é incrível como isso acontece. O céu lá no seu azul infinito e belo e de repente, o cinza cobre toda aquela beleza. O céu perde a cor. É como pegar uma foto e colocá-la em preto e branco. Geralmente fotos pretos e branco tem mais cinza do que essas duas cores.


Na verdade, o cinza também tem sua beleza. Os vários tons que no céu ele pinta é quase um quadro artístico. Cinza escuro, cinza médio, cinza claro... e por aí vai.


Começa a mutação. O cinza cobre aos pouquinhos o céu e quase não sobra azul ou realmente não sobra nada. Procura-se por um "pingo" sequer de azul, mas é em vão. Quando o céu termina sua mutação, ele nos manda uma bênção: A chuva.




Fazia muito tempo que aqui não chovia. Era o calor e mormaço de sempre. E era aquela coisa, quando você anda embaixo no sol, ninguém aguenta. A cabeça esquenta, o corpo sua...  sabe, né?


Tem gente que não gosta de chuva e até por uma parte eu entendo. A chuva atrapalha muitas vezes a vida do ser humano. Precisar sair, mas não poder por causa da chuva: isso atrapalha. Precisar de roupas, mas não estão secas: isso atrapalha. Chão molhado, poças d'água pelas ruas, lamas... isso atrapalha. Mas como eu disse, chuva é uma bênção. Bênção de Deus.


O que seria de nós sem a chuva? A água que usamos para todo e qualquer tipo de coisa que fazemos vem dela, da chuva. Sei que por aí a chuva não está dando trégua e acontece tragédias por causa disso, mas não podemos reclamar. A chuva vem e vai na hora que ela quer.


A água da chuva acorda o meu corpo é maravilhoso.

Ele queria voar.

Ele era um garoto insignificante para certas pessoas. Na escola sofria de bullying por ser um garoto quieto e diferente dos outros. Enquanto os garotos da sua classe já falavam de garotas, ele ainda pensava em vídeo game, bonecos e jogar bola. O fato é que ele não tinha crescido como os outros.
Ele foi crescendo e conhecendo os caminhos da vida. O caminho do bem e do mal. Mas ele achava essa história de caminhos meio boba. Bem e mal é relativo, existe dependentemente de algo. Simplesmente uma mera invenção humana para distrair. Era assim que ele pensava.
Com ele não existia pudores. Falava sempre o que pensava sobre tudo. Quando tinha sua opinião, de nenhuma forma mudava, era concreta até o fim.
Mas ele sempre foi um garoto “calmo”. Nunca usou máscara, porém as pessoas o achavam bonzinho, só pela sua aparência. De fato, ele tinha cara de bonzinho, de santinho. Aquele tipo de garoto carinhoso, que se importava com tudo e todos. Isso por que não o conheciam de perto.
Quando as pessoas o viam estressado, se perguntavam: “Quem é essa pessoa?” Ele gritava, xingava, jogava coisas, se revoltava. Para quem não o conhecia de perto, era outra pessoa. Na verdade, ele era bipolar. Muitas vezes se contradizia. Falava verdades, mas pelo seu tom de ironia, achavam que era brincadeira. Não levava as coisas muito a sério.
Um dia resolveu mudar de vez sua vida. Quis ter liberdade, fazer tudo o que desejava. Bem, era o que ele pensava. As coisas que dizia que sempre desejou não era bem isso. Por ser um garoto recatado na sua infância, que era proibido de fazer o que queria, ele imaginou que, experimentando de tudo, mesmo coisas que não desejava, podia apagar sua infância frustrada. Por ser maior de idade, agora podia ter tudo às suas mãos.
Experimentar maconha, LO, LSD, cocaína, beber até quase ficar em coma alcoólico, beijar e transar com homens e mulheres, viajar, fazer todos os cursos possíveis, LIBERDADE... Esse era o seu grande sonho. Odiava ouvir as opiniões de outrem em relação a seus sonhos, pois sempre o que escutava eram críticas.
Apesar de viver financeiramente à custa dos pais, saiu de casa e foi viver sua vida em outros horizontes. Casa de amigos, de ficantes, ex-namorados, era onde ele vivia. Enquanto sua antiga vida era calma, com conforto ao extremo, a sua nova vida era dura, nômade, por assim dizer, mas bem mais emocionante. Preferiu trocar o conforto pela liberdade, o sonho de todo adolescente da idade dele.
A nova vida foi bastante badalada. Festas, muita bebida, muita droga. “Sexo, drogas e rockn’roll”, sua vida se resumia a isso. Mais liberdade que isso era impossível. Porém, apesar de ter a liberdade que tanto sonhou, estava cansando disso. Não tinha rotina e sentiu falta disso. Suas asas estavam abertas demais, precisava fechar um pouco ou fechar totalmente. Pensou muito na vida que estava levando e na sua antiga vida, onde vivia em casa, com seus pais, numa pequena hipocrisia... Mas foi ali que ele nasceu e viveu. Decidiu acabar com sua liberdade, voltar a sua vida normal, afinal já tinha aproveitado até demais.
Notou que não conseguiria voltar para casa por que estava com dependência química. Pensou nos pais, como eles reagiriam a isso. Só iria tornar a vida deles um grande inferno, pois ele não mais podia voltar atrás.
Foi até o maior prédio da cidade. Escreveu um bilhete e o colocou em seu bolso. Sentiu um vento forte, com cheiro de liberdade. Aquilo era o máximo de liberdade que ele poderia alcançar. Abriu seus brancos, como um pássaro abre suas asas e pulou.
“Desculpem-me por fazer vocês sofrerem. Eu quis voar e ter liberdade e isso eu tive. Nunca mereci o amor de vocês, mas saibam que eu nunca os esqueci. Estarão para sempre no meu coração.”